normal

mas mito.

um senhor estudioso, robert segal, define-o abrangentemente como story. história, estória? vamos pelo mais antigo e de certa maneira mais próximo do mito que quero potenciado.

mas mito, ainda. do tamanho de si próprio, não mais pequeno. e aqui tenho de me perguntar: qual a minha real dimensão se não sei os limites do universo? sem a referência dos contornos, é-me impossível saber

o meu real tamanho.

portanto partamos da referência mais coerente possível. não me considerar gigante em absoluto por sê-lo
em relação às formigas, dada a irrelevância destas na moldagem da realidade,
mas talvez em relação a elementos mais influentes no fluxo do tempo e que simultaneamente constrinjam solidamente a minha influência neste. adversários do mesmo campeonato.
e aqui só sei do ser humano, de nós próprios face uns aos outros. claro, poderíamos alegar que o cosmos é já suficiente imenso para estabelecer contornos, diz-nos aquela coisa da colisão de partículas,
desde o big bang à divisão impossível do átomo
e que seria o cosmos nesses seus extremos de todo o justo ponto de comparação - que irrelevantes formigas somos face a este!...
mas essa comparação queima etapas. é cedo, ainda. temos de nos resolver entre nós na nossa diversidade para apontarmos para tão longe, para nos estabilizarmos numa dimensão de univocidade capaz de organizar

definitivamente a forma como nos relacionamos entre nós e com o que nos envolve*

portanto a minha real dimensão constrói-se face ao outro.
não sei se cometi algum erro de raciocínio importante, mas vou avançar sobre isto com imprudente confiança.


*a nossa própria natureza, ao nos fazer reflectir sobre a nossa real dimensão, desestabiliza-a irremediavelmente,
da mesma maneira que a gravidade não deixa ao mar ser um lago gélido,
a nossa consciência detuna-nos constantemente e a música é ainda difícil, anida que já terrivelmente bela.

portanto a busca de estórias em cada um de nós é como que um empenhamento científico na humanidade,

e cá está, não apenas a estória autobiográfica mas também toda a ficção possível, já que esta tem que ser encarada como fazendo parte da nossa dimensão, particularmente importante por estar nos extremos da

oscilação da realidade, ou seja, um filósofo tem una noção muito mais extremada que eu ou um outro gajo qualquer que não faça da cabeça grande coisa, tipo primeiro ministro ou assim - e eu mesmo assim estou

a lutar este pensamentozito. o que eu quero dizer é que tenho muitas vezes a sensação de que posso resolver o mundo com o meu pensamento, com a escrita de um livro, com um certo estalo de língua, e não

forçosamente no trabalho sobre os tais aceleradores de partículas ou nano x-actos de cortar átomos em fatias que alimentassem infinitas bocas, quero eu dizer que posso ter sorte e descobrir o segredo com

apostas no totoloto mais humildes

e a busca de estórias é caminho arrepiado ao mito. é uma apostazinha já mais atrevida, uma dupla no totobola ou coisa assim.

por isso tudo se liga assim:

quero o auto-conhecimento absoluto? esqueci-me de dizer porque é que isto era importante, isto é importante por sua vbez porque é através do auto-conhecimento que descanso no que sou e posso sê-lo em

serenidade leviatã.

portanto para chegar aí, à solução final do ser humano, solução no sentido de mistura estável até,
para chegar aí porque é aí que estou, como dizê-lo de outra maneira,
como deve ser,
para e star tudo bem,
bem?
para tudo estar! para tudo estar, e eu poder dizer sem me sentir um aldrabão do caralho À pergunta
-tá tudo?
-tá-se

para estar tudo, preciso de me conhecer até aos limites da destruição do absurdo; para me conhecer, preciso de me envolver com estórias, diria criá-las e pronto, criar vem antes de se envolver, não te podes

envolver sem criar, por isso, preciso de criar estórias; e para criar estórias, e aqui entra o degrau de exigência de pensar preferencialmente em estórias como mitos, e para isto basta apenas,

meus amigos, basta apenas, basta tão pouco,

basta acreditar.

- então preciso de fé, preciso de deus outra vez? ai a porra
- não, não, não é acreditar que alguém está a tomara responsabilidade de perceber disto tudo e de me poder explicá-lo, não, é acreditar que EU posso vir a ter a chave disso na mão, como?

acreditando.

vale ficar maluco e arranjar um manicómio que me financie ou pelo menos suporte a loucura?
, constantemente perturbado com medicamentos? é por isso que aos loucos apanhados nas redes da medicina falta a força de um einstein. e depois torna-se trágico, quase lamentável. não, não dá, temos de

arranjar maneira de viver a vida que tem de ser vivida e trabalhar na outra, na de fato de macaco do futuro

e para criar estórias com essa capacidade de me definir, tenho de fazê-las mito, mas normais.

normalizantes, ou a paz da recta no monitor de (alguns) sinais neurais

- hã? e vivo?... já agora.

então mas é vivo, mas na busca da anulação dos sinais neurais mais ranhosos, os que nitidamente dão cabo desta merda toda um bocado...

mito, ou seja, construir sobre as crateras a sua compreensão

porque na raiz tudo se pode decompor,

aí estão as linguagens que inventámos para o fazer, mas o que é engraçado é que a direcção somos nós que a escolhemos, decompor ou inflar, dividir ou reunir

o mito aumenta (a cara, como dizia o herberto helder, a morte aumenta a cara - poetas do caralho)
a ciência reduz

mas ambas as forças se movimentam e afastam do centro, do olhar galináceo

e eu gosto particularmente do mito porque escolhi estudar literatura em vez de medicina

suponho que seja essa a direcção preferencial do meu movimento,

por isso é de extrema importância trabalhar no mito.