a promoção fora apregoada com antecedência. todos compraram por metade da quantidade que desejavam e pelo dobro do preço. as vacas que haviam feito a venda resfolegaram de felicidade

- a manha é mãe. 
- amanhã é manha.

riram em catacumba de sangue ocre.
depois mudaram de corpo para baleias anfíbias, das que caminham pelas estepes e se bamboleiam nas fossas. percorreram todo o território da terra, sempre arrecadando com promoções graças ao poder do seu gigantismo, com manha 
e mérito, arriscavam por vezes, enlevadas pela sua cirúrgica praxis. 
eu pessoalmente achava tudo aquilo de um mau gosto lastimável. e lastimava-me quer aos meus amigos quer aos meus inimigos. era um activista, apesar da discrição nos métodos utilizados. más línguas diziam que era só trabalho de língua. mas as boas línguas fazem o essencial, fundam na força bruta o desejo do diamante, sem elas o vórtice não gira. dito isto, era altura de dar uma mãozinha. toca de ir na mota ao cartaxo buscar o Rato e o Senhor. Voltámos apertados mas era sempre belo ver as saias da zundapp efs a faiscar no chão da lomba. 
Evitámos bebidas e começámos a discussão. O Turrão estava atrasado e dava boleia ao Regalo.

eu - vamos começar
Rato - de certeza que nem umas minizecas?
eu - eu preferia que nã...
Senhor - ...é desta. se não é desta eu mato-nos a todos.

chega o Turrão e o Regalo.

Turrão - Desculpem, perdi uma válvula
Regalo - É mentira, despistou-se com a bola
eu - vamos fazer uma revolução ou não?
Senhor - e é se não querem que isto acabe num banho de sangue.
Turrão - mas para fazer bem feito é com banho de sangue, não é? nunca fui muito vampiro nestas 
merdas.
Senhor - estamos a falar de sangues diferentes. os cabrões connosco é sangria lenta.
Rato - podemos sempre matá-los por correspondência, com bombas e venenos.
eu - concordo.
Regalo - concordam todos? aprovado.
o Senhor ficou de ir comprar os selos mas por princípio nunca faria despesa com aquela ralé. 
tentou uma cunha nos correios, conseguiu trabalho lá, mas foi apanhado a meter uma carrada de selos aos bolsos e mais uns quantos envelopes entalados nos boxers. foi despedido e agora quer matar-nos a todos.
do que ele se esquece é que enquanto isso as baleias vão lendo nas suas poltronas fábulas de formigas rabigas como quem faz abdominais.
isto passa-lhe.